
Alfândega de Buenos Aires, o palácio das torres gêmeas
A Alfândega de Buenos Aires (Aduana), hoje sede da Direção-Geral de Alfândegas, é um palácio de estilo acadêmico francês no bairro de Montserrat, na Calle Azopardo 350, perto de Puerto Madero. Obra dos arquitetos Lanús e Hary, ocupa um quarteirão inteiro e é uma das visitas externas mais marcantes entre os lugares pouco conhecidos de Buenos Aires.
Durante séculos a alfândega de Buenos Aires alugou casas e chegou a ocupar um edifício semicircular que desapareceu sob o porto. Só em 1910 ganhou um palácio próprio, com duas torres visíveis dos diques de Puerto Madero.
A história da Alfândega de Buenos Aires
A alfândega de Buenos Aires existe desde 1580, quando Juan de Garay fundou a cidade, mas por muito tempo não teve edifício próprio e funcionou em casas alugadas. Com o Regulamento de Tarifas Reais de Livre Comércio, ditado por Carlos III em 1778, percebeu-se que ela devia ficar perto do porto. Em 1783 combinou-se o aluguel da casa que Domingo Basavilbaso construíra na esquina de Belgrano e Balcarce, onde a chamada Aduana Vieja funcionou até 1858 e que foi demolida em 1891.
Entre 1858 e 1896 a alfândega ocupou a conhecida como Aduana de Taylor, um edifício semicircular erguido em terrenos ganhos ao rio. Foi demolida quando a margem foi aterrada para construir Puerto Madero, embora seu espaço e sua forma peculiar continuem presentes no Parque Colón. Depois o órgão passou a ocupar de forma improvisada o Edifício de Rendas Nacionais, no terreno onde hoje fica o Palácio da Fazenda, e decidiu-se construir uma sede adequada para uma instituição em plena expansão graças ao modelo agroexportador.
Para o novo palácio destinou-se um terreno surgido do aterro costeiro do novo porto, entre Paseo Colón, a Avenida Ingeniero Huergo e as então ruas Belgrano e Moreno. Em 1908 o escritório de Eduardo Lanús e Pablo Hary projetou o edifício, e as obras começaram por volta de janeiro de 1909, na presidência de José Figueroa Alcorta. Foi inaugurado em 8 de outubro de 1910, quatro dias antes de Figueroa Alcorta ser sucedido por Roque Sáenz Peña e no marco das comemorações do Centenário da Revolução de Maio. A nova sede começou a ser ocupada em janeiro de 1911; segundo uma das fontes, a entrega oficial teria sido em 1913 e a obra das duas torres teria terminado por volta de 1915.
O edifício é de estilo acadêmico francês, com subsolo, térreo e três andares, uma mansarda de ardósia e duas torres gêmeas que se avistam mesmo a boa distância, a partir dos diques de Puerto Madero. Seu traço mais notável é a simetria absoluta e o volume, pois ocupa o quarteirão inteiro. Sobre a inscrição ADUANA, nas fachadas voltadas para a Calle Azopardo e a Avenida Huergo, fica o brasão da República Argentina. As entradas principais, no centro das fachadas da Calle Moreno e da Avenida Huergo, são grandes pórticos de dois níveis; o interior se divide em 23 salões e 90 locais. Fontes em inglês acrescentam que a fachada tem cerca de 100 metros.
O palácio reflete o peso dos direitos aduaneiros nos cofres do Estado: da época colonial até 1930 representaram cerca de 80 por cento das receitas públicas, e desde 1945 contribuem com 10 a 20 por cento do orçamento nacional. Em 28 de setembro de 2009 o Decreto 1309/09 o declarou Monumento Histórico Nacional. As obras de restauração foram dadas por concluídas em 2016, embora, segundo a Wikipédia, o edifício atual careça de boa parte da ornamentação original, como os grupos escultóricos, que não foram recriados.
Curiosidades da Alfândega de Buenos Aires
- A alfândega existe desde a fundação da cidade, em 1580, mas levou mais de três séculos para ter um palácio próprio.
- A Aduana de Taylor, de forma semicircular, desapareceu quando a margem foi aterrada para Puerto Madero; seu espaço e sua forma continuam presentes no Parque Colón.
- Foi inaugurada em 8 de outubro de 1910, quatro dias antes da troca de presidente e no marco do Centenário, mas a mudança só começou em janeiro de 1911.
- Ocupa um quarteirão inteiro e se destaca pela simetria absoluta; suas duas torres gêmeas, com extremidades revestidas de ardósia, são vistas dos diques de Puerto Madero.
- Segundo a Wikipédia, da época colonial até 1930 os direitos aduaneiros somaram cerca de 80 por cento das receitas do Estado.
- O arquiteto Jorge Liernur o descreve como um contêiner neutro para as mercadorias e destaca o grande vestíbulo pelo magnífico tratamento da iluminação zenital.
Passeios perto de Palácio da Alfândega de Buenos Aires
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Como visitar a Alfândega de Buenos Aires
- O edifício é sede da Direção-Geral de Alfândegas e as fontes não mencionam visitas guiadas ao interior; o mais simples é vê-lo da rua.
- Vale a pena contornar o quarteirão para ver as fachadas com a inscrição ADUANA e o brasão nacional, e os grandes pórticos da Moreno e da Avenida Huergo.
- Dos diques de Puerto Madero as duas torres gêmeas são facilmente avistadas.
- No Parque Colón dá para reconhecer o espaço e a forma da antiga Aduana de Taylor, que ocupava um local próximo.
Horários, acesso e condições podem mudar. Confira antes de ir.
Mapa: onde fica Palácio da Alfândega de Buenos Aires
Fotos de Palácio da Alfândega de Buenos Aires





Perguntas
O que é o Palácio da Alfândega de Buenos Aires?
É o edifício da Direção-Geral de Alfândegas, projetado pelos arquitetos Lanús e Hary e inaugurado em 1910. Em 2009 foi declarado Monumento Histórico Nacional.
Onde fica a Alfândega de Buenos Aires?
No bairro de Montserrat, na Calle Azopardo 350, junto a Puerto Madero e entre a Avenida Ingeniero Huergo e Paseo Colón.
Quem projetou a Alfândega de Buenos Aires?
Os arquitetos argentinos Eduardo Lanús e Pablo Hary, que a projetaram em 1908.
Quando a Alfândega de Buenos Aires foi inaugurada?
Em 8 de outubro de 1910, nas comemorações do Centenário, embora o edifício só tenha começado a ser ocupado em janeiro de 1911.
Dá para visitar a Alfândega por dentro?
As fontes não indicam visitas abertas ao público, já que o edifício é sede da Direção-Geral de Alfândegas. Vale conferir se há atividades antes de ir; de fora se apreciam bem as fachadas e as torres.
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