
Parque da Memória, a homenagem às vítimas do terrorismo de Estado
O Parque da Memória (Parque de la Memoria) é um espaço público de 14 hectares de frente para o Rio da Prata, na zona norte de Buenos Aires. Lembra as vítimas do terrorismo de Estado e reúne um monumento com nomes gravados e várias esculturas: uma visita serena e significativa entre os lugares pouco conhecidos de Buenos Aires.
Um caminho em rampa afunda no gramado como uma ferida aberta em direção ao rio, e os nomes das vítimas ficam à altura da mão para que possam ser tocados. É um dos memoriais mais sóbrios de Buenos Aires.
A história do Parque da Memória
O Parque da Memória nasceu como proposta de organismos de direitos humanos, com o objetivo de lembrar as vítimas do terrorismo de Estado durante as ditaduras da Revolução Argentina (1969-1973) e do Processo de Reorganização Nacional (1976-1983), bem como durante os governos constitucionais de Juan Domingo Perón e María Estela Martínez de Perón (1973-1976). Segundo a Wikipédia em inglês, o primeiro impulso veio em 1997 de estudantes do Colegio Nacional de Buenos Aires.
A Legislatura da cidade de Buenos Aires aprovou sua construção em 21 de julho de 1998, pela lei 46. O projeto reuniu organismos de direitos humanos, a Universidade de Buenos Aires e os poderes Executivo e Legislativo da cidade. O local foi escolhido à beira do rio, para onde foram atiradas muitas pessoas desaparecidas nos chamados voos da morte, e a cerca de 300 metros do Aeroparque, um dos aeroportos usados com essa finalidade.
O projeto foi do escritório Baudizzone-Lestard-Varas, e o arquiteto Alberto Varas venceu em 1998 o concurso internacional para o monumento. Em 1999 realizou-se um concurso de esculturas, com centenas de propostas. Em 30 de agosto de 2001, Dia Internacional do Detido-Desaparecido, foi inaugurada a Praça de Acesso, e em 7 de novembro de 2007 o Monumento às Vítimas do Terrorismo de Estado.
Em 2009 a lei 3.078 deu ao parque um marco jurídico e administrativo permanente, com um Conselho de Gestão formado por organismos de direitos humanos, pela UBA e pelo governo da cidade. Em 2012 foi aberto um banco de dados de consulta pública sobre as pessoas incluídas no monumento, e no mesmo ano o parque recebeu o Prêmio Konex de Platina. Em 9 de janeiro de 2014 foi declarado Monumento Histórico Nacional.
O monumento é formado por quatro estelas de concreto com placas de pórfiro patagônico gravadas com os nomes de homens, mulheres, meninas e meninos, ordenados por ano de desaparecimento ou assassinato e por ordem alfabética; indicam-se as idades e os casos de mulheres grávidas. O caminho em rampa tem forma de ferida no gramado em direção ao rio. Os nomes foram colocados a uma altura que qualquer pessoa pode tocar com a mão.
Curiosidades do Parque da Memória
- Os nomes do monumento estão a uma altura que alcança até uma pessoa de baixa estatura, para evitar o que se viu no memorial do Vietnã, onde as pessoas estendiam a mão sem alcançar.
- As placas são de pórfiro patagônico, uma pedra trazida da Patagônia.
- Os nomes são ordenados por ano e em ordem alfabética, com a idade de cada vítima; indica-se também se estava grávida.
- O parque tem sua própria sala de exposições, a Sala PAyS, que apresenta mostras de arte e direitos humanos desde 2010.
- Entre os artistas com obras no parque estão Roberto Aizenberg, Dennis Oppenheim, Jenny Holzer, Magdalena Abakanowicz e Marie Orensanz.
- O parque recebeu visitas de chefes de Estado e de governo como o presidente francês François Hollande e a chanceler alemã Angela Merkel.
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Como visitar o Parque da Memória
- É um lugar de homenagem: convém percorrê-lo com respeito e calma. Antes de ir, confira os horários e atividades atuais.
- O percurso segue o caminho em rampa em direção ao rio, com os nomes gravados nas placas do monumento.
- Entre as obras ao ar livre estão Figuras caminando, de Magdalena Abakanowicz, La casa de la historia, de Marjetica Potrč, e Por gracia recibida, de Juan Carlos Distéfano.
- A área de educação organiza visitas guiadas, sobretudo para escolas e universidades, e a Sala PAyS oferece exposições temporárias.
- Fica à beira do rio, junto à Ciudad Universitaria, na zona norte de Buenos Aires.
Horários, acesso e condições podem mudar. Confira antes de ir.
Mapa: onde fica Parque da Memória
Fotos de Parque da Memória





Perguntas
O que é o Parque da Memória de Buenos Aires?
É um espaço público de 14 hectares de frente para o Rio da Prata, criado para lembrar as vítimas do terrorismo de Estado. Inclui um monumento com nomes e esculturas de diversos artistas.
Onde fica o Parque da Memória?
Na avenida Costanera Norte, junto à Ciudad Universitaria, na zona norte da cidade e a cerca de 300 metros do Aeroparque.
Quando foi criado o Parque da Memória?
Sua construção foi aprovada em 21 de julho de 1998 e o monumento foi inaugurado em 7 de novembro de 2007. É Monumento Histórico Nacional desde 2014.
O que há no Parque da Memória?
O Monumento às Vítimas do Terrorismo de Estado, com placas de pórfiro gravadas com nomes, esculturas ao ar livre e uma sala de exposições.
Quem projetou o Parque da Memória?
O escritório de arquitetura Baudizzone-Lestard-Varas. Alberto Varas venceu o concurso internacional do monumento em 1998.
Por que fica de frente para o Rio da Prata?
Porque o rio foi o destino final de muitas pessoas desaparecidas durante a ditadura, atiradas nos chamados voos da morte.
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